11 Dicas de Livros Best-Sellers

#Publi: conteúdo patrocinado pela mybest Brasil.

Quais livros best-sellers vocês já leram esse ano? Desde que comecei o Leia Para Viver, me dei conta de que vários dos títulos que li e resenhei por aqui estão entre os mais vendidos em diversas livrarias. Sejam clássicos ou contemporâneos, é sempre interessante ficar de olho nos livros mais comentados do momento.

Foi graças a isso que a mybest Brasil publicou, em seu site, uma lista com 11 Livros de Ficção que Você Precisa Conhecer! Nela, 11 perfis literários (dentre os quais eu me incluo) indicaram seu livro de ficção best-seller favorito.

Um dos aspectos mais legais é que a seleção está bastante variada e para todos os gostos. Temos desde clássicos como O Colecionador e O Morro dos Ventos Uivantes, até livros lançados há pouco tempo, como O Nome do Vento, Extraordinário, O ódio que você semeia e por ai vai.

Minha indicação foi o magnífico Senhor das Moscas, de William Golding. A obra, que foi publicada no Brasil pela editora Alfaguara, é, sem dúvida alguma, um dos meus livros favoritos de todos. Vale muito a pena dar uma oportunidade, principalmente se você gosta de histórias empolgantes que te colocam para refletir sobre questões atuais. Posso dizer que, Senhor das Moscas, é um perfeito exemplo de clássico atemporal.


Pessoal, aproveitem para conhecer o site da mybest Brasil. Nele, temos diversas recomendações de produtos, sempre com conteúdo de qualidade. Para quem está em busca de uma nova leitura, é muito divertido conferir também as listas de livros que foram publicadas por lá. Para isso, você pode começar pelo post com 11 Livros de Ficção que Você Precisa Conhecer!

livro a estrada

8 trechos marcantes do livro A Estrada, de Cormac McCarthy

Já leu ou quer ler o livro A Estrada, de Cormac McCarthy? Então confira alguns trechos deste que é um dos trabalhos mais famosos desse grande escritor norte-americano.

livro a estrada

Livro A Estrada

Para quem ainda não conhece, Cormac McCarthy é um dos principais nomes da literatura norte-americana contemporânea, autor de romances realistas e reflexivos, marcados pela violência e por descrições detalhadas.

No Brasil, seus livros foram publicados pela editora Objetiva e Alfaguara. Infelizmente, alguns deles estão esgotados, como “Onde os velhos não tem vez” e “Meridiano de sangue”.

Já o livro “A Estrada” foi o seu último romance publicado, em 2006. Pouco tempo depois, ele recebeu o prêmio prestigiado Prêmio Pulitzer (2007) e também foi adaptado para o cinema (2009).

Aproveite para conferir também a sinopse do livro A Estrada, de Cormac McCarthy

Num futuro não muito distante, o planeta encontra-se totalmente devastado. As cidades foram transformadas em ruínas e pó, as florestas se transformaram em cinzas, os céus ficaram turvos com a fuligem e os mares se tornaram estéreis. Os poucos sobreviventes vagam em bandos. Um homem e seu filho não possuem praticamente nada. Apenas uns cobertores puídos, um carrinho de compras com poucos alimentos e um revólver com algumas balas, para se defender de grupos de assassinos. Estão em farrapos e com os rostos cobertos por panos para se proteger da fuligem que preenche o ar e recobre a paisagem. Eles buscam a salvação e tentam fugir do frio, sem saber, no entanto, o que encontrarão no final da viagem. Essa jornada é a única coisa que pode mantê-los unidos, que pode lhes dar um pouco de força para continuar a sobreviver. A Estrada representa uma mudança surpreendente na ficção de Cormac McCarthy e talvez seja sua obra-prima. Mais que um relato apocalíptico, é uma comovente história sobre amadurecimento, esperança e sobre as profundas relações entre um pai e seu filho.


8 trechos do livro A Estrada, de Cormac McCarthy

“Você está bem? ele disse. O menino fez que sim. Então partiram sobre o asfalto sob a luz cinza-chumbo, caminhando vagarosamente por entre as cinzas, cada um o mundo inteiro do outro.” (Pág. 9)

“Ele puxou o menino mais para perto. Apenas se lembre que as coisas que você põe na cabeça ficam lá para sempre, falou. Você talvez queira pensar sobre isso.
Você se esquece de algumas coisas, não se esquece?
Sim. Você se esquece do que quer lembrar e se lembra do que quer esquecer.” (Pág. 14)

“Dizia que os sonhos corretos para um homem em perigo eram sonhos com o perigo e tudo mais era a chamada do langor e da morte.” (Pág. 19)

“Nesta estrada não há homens inspirados por Deus. Eles se foram e eu fiquei, eles levaram consigo o mundo. Pergunta: Como faz aquilo que nunca será para ser diferente daquilo que nunca foi?” (Pág. 31)

“Às vezes o menino lhe fazia perguntas sobre o mundo que para ele não era sequer uma lembrança. Ele achava difícil responder. Não há passado. Do que você gostaria? Mas parou de inventar coisas porque essas coisas também não eram verdadeiras e contá-las fazia com que ele se sentisse mal. O menino tinha suas próprias fantasias.” (Pág. 48)

“Costumávamos falar da morte, ela disse. Não falamos mais. Por que isso?
Não sei.
É porque ela está aqui. Não há mais nada para falar.” (Pág. 50)

“As pessoas estavam sempre se preparando para o amanhã. Eu não acreditava nisso. O amanhã não estava se preparando para elas. Nem sabia que elas estavam ali.” (Pág. 139)

“Como você saberia se fosse o último homem na terra? ele disse.
Acho que você não saberia. Simplesmente seria.
Ninguém saberia.
Não faria diferença alguma. Quando você morre é como se o resto do mundo morresse também.
Acho que Deus saberia. É isso?
Deus não existe.
Não?
Deus não existe e nós somos seus profetas.” (Pág. 140)


Confira outras listas no blog:

10 trechos marcantes do livro A desumanização, de Valter Hugo Mãe
7 trechos marcantes do livro “A guerra não tem rosto de mulher”, de Svetlana Aleksiévitch


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resenha de a morte e a morte de quincas berro d'água

Resenha de A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água, de Jorge Amado

No artigo de hoje temos uma resenha de A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água, de Jorge Amado, um dos principais livros já publicados por esse importante escritor nacional.


OBS: Para conferir a resenha você pode optar por ver o vídeo ou ler a transcrição abaixo.

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A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água é uma divertida novela escrita por Jorge Amado e publicada no ano de 1959. O trabalho surgiu, inicialmente, num dos primeiros números de uma revista da época conhecida como “Senhor”, que hoje em dia já não existe mais.

Segundo Zélia Gatai, esposa de Jorge Amado, um dos editores dessa revista visitou a residência do casal naquele ano e quase implorou para que Jorge escrevesse uma história rápida e bem engraçada para publicação. Com o tempo, essa mesma história acabou se tornando um dos livros mais conhecidos do autor, adaptado inclusive para o cinema, teatro e TV.

Resenha de A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água, de Jorge Amado

resenha de a morte e a morte de quincas berro d'água

Na obra nós acompanhamos as consequências da morte de um homem chamado Joaquim Soares da Cunha, conhecido por seus amigos como “Quincas Berro D’água”.

Ele foi, durante boa parte da sua vida, um funcionário público impecável, trabalhador e de uma família tradicional. Era um homem muito respeitado e admirado.

Só que, aos 50 anos de idade, Joaquim decidiu fugir de tudo para ser feliz, abandonando, inclusive, sua própria família. Ele agora vivia nas ruas de Salvador, sempre saindo para beber com seus novos amigos.

Joaquim (ou Quincas Berro D´água) sempre provocava algum tipo de dor de cabeça para seus familiares. Eles tinham, por exemplo, que tirá-lo da prisão com frequência ou ajudar em situações constrangedoras.

Para eles, o protagonista era uma vergonha para a honra e o nome da família, que sua vez sempre seguiu valores tradicionais e religiosos.

Certo dia, Joaquim morreu (como observamos no título do livro). Ninguém sabia dizer ao certo como isso aconteceu, principalmente porque uma série de situações ocorreram pouco após o seu corpo ser encontrado.


A partir de então, a família se esforça para providenciar um enterro digno. Dessa forma, seria possível “apagar” os pecados de Joaquim.

O plano era priorizar as lembranças convenientes, aquelas do tempo em que Joaquim era um pai de família, trabalhador e tranquilo, esquecendo o que ele foi depois disso.

Acontece que essa era uma tarefa muito complicada já que várias pessoas da sociedade baiana conheciam aquela mesma pessoa como um boêmio, alguém que se divertia nas noites de Salvador, bebendo e jogando com os amigos.

No decorrer da leitura, a obra se desenvolve de forma criativa (e até fantasiosa) para nos mostrar aquilo que o próprio autor chamou de “A morte e a morte” de Quincas Berro D’Água.

Sobre o livro

Ao ler os livros de Jorge Amado, uma expectativa comum é a de conhecer um pouco das particularidades da cultura baiana, aspecto que não é diferente nesse caso.

Só que, além disso, na obra também podemos ressaltar uma forte crítica ao moralismo na sociedade. O humor é fundamental nesse sentido, já que serve para ironizar essa forma de pensar através da postura de Joaquim.

Outro ponto interessante envolve a apropriação da memória. Tem um trecho bem interessante sobre isso:

“Quando um homem morre, ele se reintegra em sua respeitabilidade a mais autêntica, mesmo tendo cometido loucuras em vida. A morte apaga, com sua mão de ausência, as manchas do passado e a memória do morto fulge como diamante. Essa a tese da família, aplaudida por vizinhos e amigos. Segundo eles, Quincas Berro Dágua, ao morrer, voltara a ser aquele antigo e respeitável Joaqui Soares da Cunha (…)” (Pág. 17-18)

Muitas vezes o que resta de uma pessoa que morreu são as lembranças que temos dela, as lembranças daquilo que, para nós, ela foi em vida.

É mais ou menos aquilo que se diz: enquanto temos a memória de alguém, essa pessoa nunca morre. No entanto, é importante levar em conta que essas mesmas memórias podem ser moldadas e alteradas para pior ou para melhor.

Uma coisa muito comum, por exemplo, é uma espécie de purificação, onde tentamos ignorar as lembranças ruins e valorizar o lado bom, os méritos e as conquistas.

Só que cada um tem uma interpretação daquele que faleceu, ou seja, uma memória boa para mim pode não ser boa para você. É como se quem morreu não fosse mais dono de si mesmo, não é ele ou ela quem comanda agora o que foi a sua reputação ou a sua personalidade.

Acredito que foi pensando nisso tudo que o grande escritor baiano Jorge Amado nos presentou com um livro que ironiza, de forma genial, toda essa situação.

 

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resenha de o morro dos ventos uivantes

Resenha de O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë

No artigo de hoje teremos uma resenha de O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë, romance que está entre os grandes clássicos da literatura inglesa.

resenha de o morro dos ventos uivantes

Resenha de O Morro dos Ventos Uivantes

Quem foi Emily Brontë?

Emily Brontë foi uma romancista britânica que nasceu em 1818, no povoado de Thornton, localizado no interior da Inglaterra. Irmã das escritoras Anne Brontë e Charlotte Brontë, as três escreveram livros fundamentais para a literatura de língua inglesa.

Seus primeiros trabalhos, que foram publicados com pseudônimos masculinos devido a postura machista presente na Inglaterra Vitoriana, fizeram bastante sucesso na época do lançamento.

Ao longo da vida Anne publicou livros como Agnes Grey e A senhora de Wildfell Hall. Charlotte, por sua vez, escreveu várias obras como Villette, Shirley e, principalmente, Jane Eyre.

Por fim, Emily publicou, em 1847, o seu único romance conhecido como O Morro dos Ventos Uivantes (no inglês, Wuthering Heights). Vale destacar que, além desse título, ela também escreveu um livro de poesias traduzido como O Vento da Noite.

Muito tímida, observadora e autodidata, Emily gostava de prestar atenção na forma como as pessoas ao seu redor se comportavam. Tal característica acabou se tornando imprescindível para a composição de seus personagens, muito lembrados, justamente, pela complexidade e profundidade.

Além disso, O Morro dos Ventos Uivantes é um livro intenso e influente que explora temáticas como vingança, ambição, amor e medo.

Resenha de O Morro dos Ventos Uivantes

Inicialmente, acompanhamos um certo Sr. Lockwood, responsável por alugar uma bela casa no campo cujo proprietário era um idoso muito grosseiro chamado Heathcliff.

Logo após chegar na região, o locatário resolve visitar a mansão de Heathcliff para conhecê-lo pessoalmente. No entanto, o arrependimento é instantâneo ao perceber todo mal-humor desse indivíduo, além do clima hostil por parte de outros moradores da mesma residência.

Após algumas frustradas tentativas de se aproximar, Lockwood acaba ficando curioso com relação à origem daquelas pessoas tão estranhas. Certa noite, a governanta da residência alugada, uma senhora chamada Nelly, começa então a contar toda a história de várias gerações daquela mesma família.

Antigamente, na mansão onde Heathcliff vive atualmente, morava o Sr. e a Sra. Earnshaw com seus dois filhos, Catherine e Hindley.  Após retornar de viagem, o Sr. Earnshaw chega em casa com um menino que ele havia encontrado perambulando pelas ruas.

Esse jovem, que lembrava muito um cigano, acaba sendo adotado e recebe o nome de Heathcliff, passando a conviver com o restante da família como se fosse mais um dos filhos do casal.

A relação desse garoto com Catherine era excelente. Ambos confiavam um no outro e criaram uma amizade que, futuramente, se tornaria uma enorme paixão.

Já seu relacionamento com Hindley era o completo inverso. O novo integrante da família sofre com diversas humilhações por parte do irmão, o que vai criando nele um profundo desejo de vingança, mesmo que reprimido.

Algumas coisas ocorrem e mudam completamente a lógica da residência. Nesse momento, Heathcliff foge e retorna apenas alguns anos depois, com uma aparência mais madura e cheio de ambições.

A partir daqui, vamos observando tudo o que ocorre com os integrantes da família Earnshaw, além de acompanhar situações diversas provocadas por egoísmo, ódio e pelo amor sem limites.


Em linhas gerais, O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë, é um trabalho que nos mostra as consequências drásticas provocadas pela angústia extrema.

Vemos como, por exemplo, um amor não correspondido, uma ofensa, uma injustiça ou uma humilhação são coisas que podem provocar uma série de sentimentos e atitudes negativas.

Os personagens, que sempre são muito intensos e marcados por fortes emoções, mudam muito conforme situações angustiantes vão ocorrendo. Alguns criam vícios, outros criam obsessões, temores e desejos de vingança.

Nesse sentido, O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë, é uma obra que transmite todo o processo de ruína e degradação de uma família tradicional do interior da Inglaterra, mostrando suas falhas de caráter, fraquezas e perversidades.


Aproveite para assistir o vídeo que publiquei sobre esse mesmo livro lá no canal do YouTube.

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Veja também:

Resenha de O Sol é Para Todos, de Harper Lee
27 clássicos da literatura irlandesa que você precisa conhecer


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resenha de vidas secas

Resenha de Vidas Secas, de Graciliano Ramos

No artigo de hoje teremos uma resenha de Vidas Secas, de Graciliano Ramos, um dos maiores clássicos da literatura brasileira.

resenha de vidas secas

Resenha de Vidas Secas, de Graciliano Ramos

Um pouco sobre o Velho Graça

O dia 27 de outubro de 1892 foi bastante especial para um pequeno município do estado de Alagoas conhecido como Quebrangulo. Naquela data nasceu aquele que seria consagrado como um dos principais nomes da literatura nacional: Graciliano Ramos.

Desde muito jovem, Graciliano já gostava de escrever, o que incentivou sua principal atividade no futuro. Nesse sentido, a década de 1930 foi fundamental para estabelecer as bases da sua carreira.

Seu primeiro romance foi Caetés, publicado em 1933 e ambientado na cidade de Palmeira dos Índios, local esse que o Velho Graça atuou como prefeito por dois anos.

O restante da década foi marcado por publicações fundamentais na obra do escritor: São Bernardo (1934), Angústia (1936) e, principalmente, Vidas Secas (1938).

Lançado pela editora José Olympio logo após Graciliano ser libertado da prisão durante a chamada Era Vargas, Vidas Secas se consagrou, ao longo dos anos, como uma verdadeira obra-prima da nossa literatura.

Vidas Secas, de Graciliano Ramos

Vidas Secas, de Graciliano Ramos, é um romance tão importante que, mesmo sem ler, qualquer brasileiro já ouviu falar. Com menos de 100 páginas e narrado em 3ª pessoa, tornou-se um dos principais títulos regionalistas ao abordar as mazelas do sertão nordestino.

Escrito nos anos de 1930, a obra é parte da 2ª geração modernista (1930-1945), ao lado de outros trabalhos como:

Menino de Engenho (José Lins do Rego)
O Quinze (Rachel de Queiroz)
Capitães de Areia (Jorge Amado)

No primeiro capítulo, nos acompanhamos o sofrimento de um pequeno grupo de retirantes durante a seca do sertão. No caso, era uma família composta por Fabiano, Sinhá Vitória, dois filhos e a cachorra Baleia. Todos caminham sem rumo e no calor extremo.

A comida acabou, não havia água em lugar algum, as casas e fazendas estavam abandonadas, sem gado e com todas as plantas mortas. Num determinado momento, quando a família resolve parar um pouco para descansar, Baleia sai correndo rumo ao morro.

A cadelinha retorna, pouco tempo depois, com um preá na boca. Esse gesto foi fundamental para tirar aquelas pessoas da fome, além de dar esperanças e forças para suportar uma situação tão extrema.

Já nas páginas seguintes, que ocorrem após o fim da seca, temos Fabiano trabalhando numa fazenda bem próxima daquele mesmo local onde Baleia caçou e salvou a vida de todos. Ele e sua família vivem numa casa bem simples e relativamente próxima de um pequeno povoado.

A partir daqui somos apresentados a cada um dos personagens, acompanhando situações aleatórias que estes vivenciam. Por exemplo: vemos as injustiças que Fabiano sofre por ter dificuldade em se comunicar; os sonhos de Sinhá Vitória em ter uma vida mais confortável; a relação dos filhos com seus pais; a forma como Baleia enxerga o mundo e seus donos.

Sobre o livro

Vidas Secas, de Graciliano Ramos, é um livro marcante em vários sentidos. Um primeiro ponto que quero destacar envolve a complexidade dos personagens.

Através de Fabiano e sua família, vemos as dificuldades das pessoas do campo no sertão nordestino. Nesse aspecto, a obra cumpre o papel de expor ao leitor as diversas injustiças e adversidades que estas podem sofrer.

A pobreza, o clima brutal e extremo, os abusos das autoridades e a exploração promovida pelos mais ricos são apenas alguns dos problemas vivenciados pelos personagens de Vidas Secas.

Um outro elemento que também se destaca nessa obra de Graciliano Ramos diz respeito a questão da linguagem, mais especificamente sobre como as dificuldades em se comunicar geram desigualdade.

Fabiano é o exemplo perfeito disso. Ele é um homem bruto que, inclusive, se considera quase como um “bicho”. No capítulo intitulado “Cadeia”, Fabiano acaba preso e não consegue expressar toda a sua indignação com a injustiça.

“Havia muitas coisas. Ele não podia explicá-las, mas havia. Fossem perguntar a seu Tomás da bolandeira, que lia livros e sabia onde tinha as ventas. Seu Tomás da bolandeira contaria aquela história. Ele, Fabiano, um bruto, não contava nada. Só queria voltar para junto de sinhá Vitória, deitar-se na cama de varas. Porque vinham bulir com um homem que só queria descansar?” (Pág. 31)

Em linhas gerais, o que Graciliano Ramos tenta nos mostrar é como a pobreza extrema impede o homem de se educar, fazendo com que o mesmo sempre fique sujeito a sofrer com a exploração dos demais.

Conclusão

Com personagens marcantes, sendo Baleia a mais lembrada, temos em Vidas Secas um trabalho magnifico e emocionante que traça um retrato dos problemas sociais do sertão nordestino.

Considerado como um dos livros indispensáveis da nossa tão rica literatura, deixo aqui para vocês a recomendação dessa obra incrível do grande escritor alagoano Graciliano Ramos.


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resenha de o sol é para todos, de harper lee

Resenha de O Sol é Para Todos, de Harper Lee

No artigo de hoje, preparei uma resenha de O Sol é Para Todos, de Harper Lee, escritora norte-americana que ganhou o prestigiado Prêmio Pulitzer em 1961.

resenha de o sol é para todos, de harper lee

Resenha de O Sol é Para Todos, de Harper Lee

Nos Estados Unidos, as décadas de 1950 e 1960 foram marcadas por várias manifestações que defendiam os direitos civis dos negros e o fim do racismo.

Foram nesses anos, por exemplo, que pessoas como Rosa Parks e Martin Luther King ganharam grande destaque na luta pela igualdade, inspirando diversos outros protestos por toda nação.

Foi com grande inspiração nesses eventos – e um toque autobiográfico – que a escritora Harper Lee publicou, em 1960, um dos livros mais emblemáticos da literatura norte-americana do século XX: um trabalho conhecido como O Sol é Para Todos (em inglês, To Kill a Mockingbird).

Resumo do livro O Sol é Para Todos

Na obra acompanhamos diversos acontecimentos na vida de uma menina de 6 anos chamada Scout, que também a narradora da história. Tudo ocorre pouco após a crise de 1929, numa cidade fictícia chamada Maycomb, localizada no estado do Alabama.

Ela vive nessa cidade com sua família: o pai Atticus, um advogado; o irmão mais velho Jem e a cozinheira Calpúrnia. Num primeiro momento, vemos simplesmente sua infância com diversas brincadeiras e aventuras, sempre na companhia de seu irmão e também de  um amigo chamado Dill, menino que visitava o local todo verão.

Justamente nesses capítulos iniciais que vamos conhecendo um pouco mais da personalidade da Scout e dos demais habitantes da cidade de Maycomb. Além disso, também acompanhamos seu crescimento, como quando a narradora vai para a escola pela primeira vez.

Na segunda metade da obra, uma determinada circunstância envolvendo Atticus começa a ganhar destaque na cidade. No caso, ele estava defendendo um homem negro chamado Tom Robinson, acusado de estuprar uma mulher branca chamada Mayella.

Foi a partir desse evento que começamos a observar todo o racismo e preconceito que havia naquela sociedade, sempre através do ponto de vista de Scout.

Um pouco sobre a obra

O Sol é Para Todos, de Harper Lee, é um livro que expõe o racismo de um modo bastante particular ao nos apresentar o problema com base na perspectiva de uma criança.

Acredito que a proposta da autora foi de mostrar como, muitas vezes, o preconceito dentro de uma sociedade é mascarado. Basta um gatilho para que a verdade apareça de forma mais evidente (o que, na obra, foi o julgamento de Tom Robinson).

Na mesma medida que O Sol é Para Todos é um trabalho que fala sobre racismo, ele também explora muito as questões da inocência e amadurecimento, representadas tanto por Scout, quanto por Jem e Dill.

Podemos observar isso na forma como as crianças amadurecem durante o período em que Atticus atua como advogado de Tom, já que todos os membros da família sofriam com pressão e ofensas na cidade de Maycomb.

Essa obra-prima da Harper Lee é, com certeza, uma daquelas leituras imprescindíveis que falam sobre temáticas necessárias. Ao mesmo tempo, O Sol é Para Todos também consegue te cativar com belas lições de amizade, honestidade e perseverança.


Aproveite para assistir o vídeo que publiquei sobre esse mesmo livro lá no canal do YouTube.

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Resenha de Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago

Resenha de Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago

No artigo de hoje, preparei uma resenha de Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago, um dos mais conhecidos escritores portugueses e ganhador do prêmio Nobel de Literatura em 1998.

Resenha de Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago

Resenha de Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago

Publicado em 1995, Ensaio Sobre a Cegueira é um livro diferente de qualquer um que já tive a oportunidade de ler até hoje. Nele, Saramago nos mostra como vivemos numa sociedade individualista em que a maioria das pessoas está “cega” com relação ao outro.

Para Saramago, mesmo vendo, continuamos “cegos”. Vivemos apenas por nós mesmos e criamos máscaras para esconder nossas inseguranças diante dos demais.

Buscando evidenciar esse problema, o escritor português faz uma obra distópica onde todos de fato perdem, repentinamente, a sua capacidade de enxergar. Essa condição, além de gerar um enorme caos em toda a ordem estabelecida, acaba também se tornando a única alternativa para que todos mostrem como verdadeiramente são.

Resumo de Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago

No início da leitura temos o seguinte: um homem está dentro de seu carro esperando o sinal de trânsito abrir. De repente, ele perde a visão, sem qualquer motivo coerente. Tudo o que consegue enxergar agora é uma grande claridade, uma espécie de “mar de leite”.

A partir dele, outros que se aproximaram acabam ficando cegos pouco tempo depois. A situação se torna um efeito dominó onde a cegueira branca atinge um número gigantesco de pessoas de forma incontrolável.

O governo, sem saber como agir, resolve colocar todos os cegos em quarentena, utilizando para isso um manicômio abandonado. O prédio não tinha menor estrutura para acolher pessoas nessas condições, estava imundo e sem qualquer coisa para auxiliar na locomoção entre os vários cômodos.

A comida era despejada do lado de fora e os residentes eram obrigados a “se virar” para encontrá-la, ainda correndo risco de serem baleados caso se aproximassem demais do muro de proteção vigiado por militares.

No meio desse cenário caótico, havia um médico oftalmologista que tinha ficado cego logo no início. Ele foi um dos primeiros a chegar no local, junto de sua esposa. Acontece que, por algum motivo, a mulher não estava cega, ela apenas fingiu estar para acompanhar o marido naquele local.

Ao longo da leitura, vemos como ela lida com toda a situação, levando em conta que era a única que conseguia enxergar. A mulher do médico observa que, conforme mais pessoas chegavam, aquele manicômio abandonado estava se tornando um local cada vez mais claustrofóbico, perigoso e desumano.

Sobre o livro

“A responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam.” (Pág. 241)

Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago, é uma obra que tira qualquer leitor da zona de conforto. Angústia e desconforto são apenas algumas das coisas que podemos sentir ao ler esse livro.

Acredito que a proposta do autor foi de criticar uma sociedade que, na mesma medida que se esconde, também não se importa em conhecer os outros na sua essência e particularidades.

A cegueira do livro surge como uma solução para esse problema já que te permite “enxergar”. Basta perceber que, ao quase retornar ao estado de natureza, não haviam mais máscaras. Todos acabavam mostrando como realmente são, seja para sobreviver, seja para ajudar seus amigos e entes queridos.

Essa obra-prima de José Saramago é um trabalho que critica todo individualismo presente no mundo moderno, um local em que todos estão, de certa forma, cegos. O autor exalta, portanto, a importância de ser sensato, coerente, ver os outros além dos estereótipos e fugir de posturas extremas (ou qualquer tipo de cegueira).


Aproveite para assistir o vídeo que publiquei sobre esse mesmo livro lá no canal do YouTube.

Resenha de Ensaio Sobre a Cegueira

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resenha de os sofrimentos do jovem werther

Resenha de Os Sofrimentos do Jovem Werther, de Goethe

No artigo de hoje, preparei uma resenha de Os Sofrimentos do Jovem Werther, uma novela epistolar escrita por Goethe e que está entre as mais importantes da fascinante literatura alemã.

resenha de os sofrimentos do jovem werther

Resenha de Os Sofrimentos do Jovem Werther

Os Sofrimentos do Jovem Werther, novela publicada pelo alemão Johann Wolfgang von Goethe em 1774, é uma obra fortemente inspirada em eventos que ocorreram na vida do próprio escritor.

Dois anos antes, enquanto vivia na cidade de Wetzlar, o jovem Goethe (de apenas 23 anos), se apaixonou perdidamente por uma mulher comprometida chamada Charlote Buff.

Vendo suas expectativas frustradas com um amor não correspondido, Goethe vai embora da cidade deixando somente uma carta de despedida.

Essa situação acabou se tornando a base para Os Sofrimentos do Jovem Werther, um dos seus trabalhos mais conhecidos ao lado de Fausto, Os Anos de Aprendizado de Wilhelm Meister e As Afinidades Eletivas.

Sobre o livro Os Sofrimentos do Jovem Werther

Na obra nos acompanhamos como um jovem chamado Werther, após se mudar da cidade, vive agora numa região do interior da Alemanha, num local onde as pessoas possuem uma rotina mais pacata e sem pressa.

Vemos como o protagonista se encanta com as pequenas coisas, com as plantas, com a natureza, além de ter grande interesse também pela música, literatura e arte de modo geral.

Certo dia, indo para uma festa de carruagem, Werther acaba conhecendo Lotte e se apaixonando perdidamente por ela. Os dois tinham vários interesses em comum, o que desenvolveu uma grande amizade.

Werther e Lotte

Werther e Lotte

O único problema é que Lotte era comprometida, no caso com um homem bastante prático e racional chamado Albert, uma espécie de oposto de Werther (que era bastante emotivo e sentimental).

Com o passar do tempo, percebemos uma sutil mudança no temperamento do protagonista: ele vai ficando cada vez mais angustiado, envolvido por um enorme sentimento de injustiça pela impossibilidade de ter Lotte como sua companheira.

Análise

Escrito no formato de cartas, Os Sofrimentos do Jovem Werther foi uma das primeiras obras de destaque de um conhecido movimento do século XVIII chamado Tempestade e Impeto (no alemão, Sturm und Drang), um dos mais famosos da literatura alemã.

A proposta desse movimento, que estabeleceu as bases do romantismo alemão, era de promover uma literatura mais pautada nos sentimentos extremos, nas liberdades de se expressar plenamente. Era, assim, um completo oposto do Racionalismo.

Se observarmos, a novela de Goethe se encaixa perfeitamente na proposta do Sturm und Drang, tendo em vista a forma como Werther sempre baseia todas as suas decisões naquilo que sente.

Jovem Werther

Jovem Werther

O livro se tornou muito popular já no seu tempo, chamando a atenção de pessoas como Mary Shelley (autora de Frankenstein) e Napoleão Bonaparte.

A novela de Goethe também adquiriu inúmeros fãs na Europa, com pessoas que se inspiravam em Werther desde as vestimentas até no jeito de ser. Acredita-se, inclusive, que houve também uma onda de suicídios por parte de seus leitores mais fanáticos.

Podemos concluir que a ideia desse famoso autor alemão foi de nos mostrar todas as dores e angústias que uma grande paixão não correspondida pode provocar.


Aproveite para assistir o vídeo que publiquei sobre esse mesmo livro lá no canal do YouTube.

Resenha de Os Sofrimentos do Jovem Werther

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Angústia, de Graciliano Ramos

Resenha de Angústia, de Graciliano Ramos

No artigo de hoje vamos conversar sobre Angústia, de Graciliano Ramos, um dos principais livros brasileiros do século XX.

Angústia, de Graciliano Ramos

Angústia, de Graciliano Ramos

Graciliano Ramos provavelmente desperta o medo de muita gente que, assim como eu, foi obrigada a ler Vidas Secas ainda muito jovem no colégio.

Porém, decidi dar uma chance a esse escritor tão prestigiado lendo S. Bernardo, seu segundo romance, publicado em 1934. No caso, este livro fala sobre a história de Paulo Honório (contada por ele mesmo), um homem simples mas ambicioso que por meio de todo tipo de atitude torna-se um grande fazendeiro do sertão.

Todavia, confesso que foi com ‘’Angústia’’ que Graciliano arrebatou meu coração de leitora. Se na época do seu lançamento a obra foi ignorada pela crítica, hoje permeia entre um dos maiores trabalhos da literatura brasileira. Este romance, de pouco mais de 300 páginas, foi publicado pela primeira vez no ano de 1936 pela editora José Olympio.

Obs: atualmente a editora Record lançou uma nova edição que você pode conferir aqui.

Sobre o livro Angústia, de Graciliano Ramos

Em Angústia, de Graciliano Ramos, temos novamente mais uma história narrada em primeira pessoa, dessa vez pelo personagem Luís da Silva: um funcionário público com seus 30 e poucos anos, solitário e numa situação financeira ruim mas, ao menos, estável.

Ao conhecer Marina, sua nova vizinha, apaixona-se e numa busca de agradar a amada, acaba se afundando em dívidas e empréstimos.

Capa Primeira Edição Angústia de Graciliano Ramos

Primeira edição de Angústia, de Graciliano Ramos

Ele a pede em casamento mas a moça acaba por abandoná-lo, trocando-o por outro, um certo Julião Tavares. Proveniente de uma família rica e de comerciantes bem sucedidos, Julião consegue comprar tudo que a menina deseja: jóias, roupas, jantares e passeios.

Este fato acaba por revirar e perturbar profundamente a vida de Luís, transformando seus dias num verdadeiro pesadelo cada vez mais alucinado.

Análise do livro

Inicialmente, podemos sentir certo estranhamento ao ler a obra, tanto devido ao chamado fluxo de consciência, quanto por causa do seu ritmo frenético e acelerado.

Luís, envolto em seus sentimentos de desgosto, acaba por sempre misturar fatos do passado com situações do momento presente.

Contado como num monólogo interior, estamos inseridos na cabeça do personagem em sua forma mais íntima possível, ou seja, através de seus pensamentos.

Levando em consideração o contexto histórico e social da época, é possível encontrarmos simbologias referentes às relações sociais e, principalmente, a corrente filosófica / literária do existencialismo.

Por isso, é comum compararmos Angústia, de Graciliano Ramos, com livros como “Crime e Castigo” e “Memórias do Subsolo“, ambos do escritor russo Fiódor Dostoiévski.

Em todos estes casos existe angústia, opressão, o medo de ser capturado, a febre. Nesse aspecto, podemos dizer que a presente obra de Graciliano é capaz, inclusive, de causar uma certa sensação de mal estar no leitor que decidir mergulhar nesse relato.

Também é possível perceber semelhanças de Angústia com o naturalismo brasileiro de Aluísio Azevedo (confira a resenha de O Mulato), principalmente pela “animalização” do homem e por mostrar que o indivíduo é determinado pelo ambiente em que está inserido. Os ratos, constantemente citados, nos revelam como o personagem principal enxerga a vida como algo frustrante e cruel.

Para finalizar, separei algumas partes do livro que, para mim, foram marcantes e lúcidas para o entendimento:

“Entro no quarto, procuro um refúgio no passado. Mas não me posso esconder inteiramente nele. Não sou o que era naquele tempo. Falta-me tranqüilidade, falta-me inocência, estou feito um molambo que a cidade puiu demais e sujou.” (Pág. 20)

“Os ratos é que me roíam a paciência. Corrote, corrote – era como se roessem qualquer coisa dentro de mim.” (Pág. 92)

“Qualquer ato que eu praticasse agitaria esses retalhos de opinião. Inútil esperar unanimidade. Um crime, uma ação boa, dá tudo no mesmo. Afinal já nem sabemos o que é bom e o que é ruim, tão embotados vivemos.”


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Veja também:

• [POST] Resenha de A Vegetariana, de Han Kang

[VÍDEO] O Alienista, de Machado de Assis


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Questão de Honra, de Yuri Belov

Resenha de Questão de Honra, de Yuri Belov

• Resenha Publieditorial •

Desde que comecei a ler e estudar história, desenvolvi muito interesse em conhecer mais sobre eventos importantes que marcaram tanto o século XX, quanto o século XXI.

Alguns assuntos que gosto de ler são, por exemplo, sobre a Segunda Guerra Mundial, governos ditatoriais, Guerra Fria, terrorismo, entre muitos outros. Nos últimos tempos também estou bastante curioso com questões relativas ao oriente médio e leste asiático.

Recentemente, terminei a leitura de um livro bem enriquecedor nesse aspecto. No caso é um trabalho da literatura nacional contemporânea chamado Questão de Honra, de um autor cujo pseudônimo é Yuri Belov, publicado pela Novo Século em 2018.

Questão de Honra, de Yuri Belov

Questão de Honra, de Yuri Belov

Questão de Honra, de Yuri Belov

Para quem ainda não conhece, Yuri Belov foi autor de outro livro publicado pela mesma editora, uma obra chamada de Odalisca.

Engenheiro e gerente de projetos, Belov trabalhou em vários locais ao redor do mundo (Brasil, África e América Latina como um todo). Além disso, gosta muito de mitologia, história militar e medieval.

Seu livro Questão de Honra: A face da morte no dorso de um cavalo (2018) é uma obra do gênero de espionagem mas com grande atenção para elementos históricos e contemporâneos do cenário geopolítico mundial.

Em linhas gerais, acompanhamos as aventuras do inglês Tristan Drake, um ex-agente das forças especiais que trabalhou durante a Guerra Fria, além de antigo membro da MI-6, uma agência britânica que presta serviço de inteligência para o governo.

Agora, já mais velho, Tristan atua no ramo da arqueologia marítima como diretor de uma empresa com sede na belíssima ilha de Malta, no mar mediterrâneo.

Certo dia, o protagonista recebe, por telefone, a notícia de que uma das embarcações de exploração sofreu um suposto acidente na costa do norte da África, enquanto procurava por artefatos de um antigo navio cartaginês.

A situação era bastante complexa pois seus tripulantes acabariam resgatados e levados para a Líbia, um país em plena guerra civil e não muito simpático com relação a presença de britânicos.

Só que, repentinamente, Drake recebe uma proposta inusitada: um milionário indiano misterioso se propõe a ajudar naquela situação, levando a tripulação em segurança para Londres.

Em troca, o personagem principal deveria disponibilizar parte dos lucros do navio cartaginês assim que a exploração fosse retomada.

Mesmo com algumas suspeitas, ele aceita a ajuda do misterioso indiano, o que acarreta no resgate bem-sucedido de todos os homens da embarcação de arqueologia marítima.

Algum tempo depois, o próprio Drake se encontra com o homem misterioso, conhecido simplesmente como Sheik.

Enquanto conversavam, o milionário desabafa e fala sobre o desaparecimento de seu filho Khaled, muito provavelmente por conta de um recrutamento pelo Estado Islâmico.

Ele era um talentoso hacker, o que poderia ser de grande interesse para aquela organização terrorista.

Sentindo que deveria ajudar de alguma forma, quase como se fosse uma questão de honra, Tristan Drake diz que irá investigar o desaparecimento do jovem.

No entanto, esse gesto de boa vontade foi o ponto de partida para uma série de aventuras por parte do ex-agente, que por sua vez se vê inserido numa rede de eventos marcada por intrigas e jogos de poder, onde quase ninguém é confiável.

Sobre o livro

Questão de Honra é um trabalho que tem vários aspectos interessantes e que merecem destaque:

Um primeiro ponto que quero ressaltar é a preocupação do escritor com a contextualização do livro, sempre trazendo vários elementos de cunho político, cultural ou histórico.

Isso enriquece muito a obra pois transmite ao leitor algo além das aventuras de Tristan Drake. Como o personagem principal atua em vários países da Ásia e África, temos acesso a curiosidades dessas regiões.

Um bom exemplo desse aspecto é o começo do capítulo 4, chamado de “Começa uma extraordinária jornada”:

“Kashgar é uma cidade situada no noroeste da China, na província autônoma de Uigur, em Xinjiang, na proximidade das fronteiras com Paquistão e Afeganistão. Chamada pelos habitantes locais e nativos da região simplesmente por Kashi, estima-se que tenha uma população de aproximadamente meio milhão de habitantes. No passado, foi um importante entreposto comercial na famosa Rota da Seda. A cidade possui uma destacada comunidade muçulmana, os uigures, que habitam a região há séculos e são de origem turcomena. Esse povo tradicional não se sente ligado à China e existe um sentimento crescente pela independência do lugar, o que constitui um permanente foco de atrito na região, envolvendo os uigures e forças de segurança chinesas.” (Pág. 60)

Outro ponto importante de comentar envolve a forma como o livro mistura eventos passados com situações do tempo presente, o que serve para mostrar o histórico do protagonista durante os anos de Guerra Fria, além de apresentar a origem de personagens importantes ao longo da leitura.

Temos, por exemplo, um capítulo ambientado durante os anos da Guerra da Bósnia, enquanto outro fala sobre uma perseguição na Bulgária durante a Guerra Fria.

Por fim, um último ponto que é importante de apresentar diz respeito ao gênero do livro, que é de espionagem. Questão de Honra cumpre muito bem esse papel, num trabalho que parece se inspirar em autores renomados como Ian Fleming e John le Carré.

Basta perceber os detalhes para fazer uma analogia com James Bond: Tristan Drake é um homem mais velho e galã, que chama a atenção de várias mulheres. Além disso, é um estrategista nato, sabe manejar armas e lidar com pessoas que não são muito confiáveis.

Conclusão

Posso dizer que Questão de Honra, de Yuri Belov, foi um livro que me surpreendeu de maneira bastante positiva. O autor escreveu uma obra de espionagem que não deixa nada a desejar se comparada com outros trabalhos mais conhecidos.

O ritmo dinâmico do livro também me agradou de modo geral. Apenas achei que algumas poucas situações se resolviam muito rapidamente, o que poderia ter sido melhor trabalhado.

Gostei bastante da contextualização presente em, praticamente, todos os capítulos. Ao meu ver, esse é o maior diferencial do Questão de Honra.

Enfim, deixo aqui uma dica de literatura nacional para os apaixonados por livros de ação e espionagem!


Assista o vídeo:


Aproveite para visitar o perfil do autor no Facebook e também a página do livro:

Perfil do autor

Página do livro


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