Sobre “Um Nazista em Copacabana”, de Ubiratan Muarrek

um nazista em copacabana

“Um Nazista em Copacabana” (2016) é um romance nacional, escrito pelo paulista Ubiratan Muarrek e publicado pela editora Rocco.


Ao sair da Europa com o término da 2ª Guerra Mundial, o alemão Otto Funk viaja para o continente sul-americano com o objetivo de se estabelecer na cidade de Buenos Aires.

Repentinamente, decide ficar no Brasil, local onde forma família com Iracema, uma manauara de personalidade forte. Pouco depois nasce sua filha, Diana.

No entanto, Otto não é o protagonista ou o ponto central deste romance. O nazista que dá nome ao livro existe apenas na memória de seus familiares.

O foco da história aponta para o drama e a vida de seus familiares remanescentes.


A obra é dividida em três partes: “Rio”, “São Bernardo” e “Minas”. Como é possível imaginar, os capítulos fazem referência aos cenários onde a trama ocorre.

No início temos Diana, grávida, voltando para a casa de Iracema, no Rio de Janeiro. Antes, ela vivia na cidade de São Bernardo do Campo, São Paulo.

Após fugir de Delúbio, pai do bebê e homem envolvido em esquemas de corrupção e manipulação política, Diana tenta se adaptar, novamente, a companhia de sua mãe.

Além de Iracema, personagem bem-humorada e beberrona, temos também a presença de Circe, uma amiga extremamente intrometida, que cultiva um forte interesse por Diana.

Os dias de Diana são uma mescla de preocupações, seja com a gravidez, seja com a possibilidade de Delúbio reaparecer.

Já nas partes seguintes, a figura de Delúbio é preponderante.

Este personagem mergulhou, com os olhos brilhando por dinheiro, no lado mais obscuro da corrupção (mesmo sem compreender muito bem as consequências de seus próprios atos).

Mantendo contato com pessoas poderosas e de caráter duvidoso, Delúbio passa a fazer parte de um escândalo político.

Já sua relação com Diana, e os motivos pelo afastamento desta última, também são elementos tratados nessa parte da história.


Muito interessante observar, em “Um Nazista em Copacabana”, a maneira como o autor nos apresenta as problemáticas engrenagens do poder, presentes no cenário político brasileiro.

Estas surgem, no livro, graças a combinação entre três aspectos fundamentais: ambição, corrupção e política.

Ambos os pontos são observados através de figuras como Antonio, Campanella e o próprio Delúbio.

Contudo, ao meu ver, o maior mérito de Ubiratan está na parte técnica, principalmente na elaboração dos diálogos e dos personagens em si.

São diálogos rápidos, que impedem qualquer forma de distração por parte do leitor. Já os personagens são ricos, complexos e minuciosamente trabalhados.

Esta obra, do escritor paulista Ubiratan Muarrek, foi uma grata surpresa. “Um Nazista em Copacabana” é uma ótima leitura e, sem dúvida, um dos livros nacionais que mais gostei esse ano. Recomendo!


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