Resenha do livro Frankenstein, de Mary Shelley

Preparei uma resenha de um dos grandes clássicos da literatura: Frankenstein, de Mary Shelley

OBS: Para conferir a resenha você pode optar por ler o artigo ou ver o vídeo localizado no final do texto.

resenha frankenstein

Em 1831, a autora inglesa Mary Shelley definiu o que é uma história de terror:

“[…] uma história capaz de falar aos misteriosos temores de nossa natureza e de despertar um horror arrepiante – uma história que fizesse o leitor ter medo de olhar a sua volta, que congelasse seu sangue nas veias e lhe acelerasse as batidas do coração.”

Somente com esse trecho já é possível entender como Mary Shelley, ainda muito jovem, foi capaz de escrever o clássico Frankenstein, um dos romances mais famosos e influentes de todos os tempos.


Origens da obra Frankenstein, de Mary Shelley

No início do século XIX, Mary Shelley, seu marido Percy Shelley e sua irmã Claire viajavam pelo continente europeu. Eles se hospedaram em Genebra, na Suíça, em companhia do famoso poeta Lorde Byron.

Tendo em vista que Claire e Byron se tornaram amantes, Mary e seu marido resolveram ficar por mais tempo na cidade.

Todos estavam numa bela mansão, próxima ao lago Genebra. Foi a partir daí que duas situações fundamentais para o surgimento do livro Frankenstein aconteceram:

– A 1º situação foi que, certo dia, Lorde Byron sugeriu que todos escrevessem uma história de terror, já que este era um gênero que estava na moda naquela época. Todos concordaram com a ideia.

– A 2ª situação veio das conversas entre Byron e Percy Shelley. Como Mary mesmo diz, os dois falavam muito sobre o princípio da vida, sendo que ela sempre estava ouvindo estas conversas.

Podemos entender que, tanto o desafio imposto por Byron, quanto as conversas deste com Percy Shelley foram, de certo modo, a base para que, futuramente, o livro Frankenstein surgisse.

O que seria apenas uma brincadeira, para Mary Shelley se tornou algo sério. Em 1818, Frankenstein foi lançado, só que como publicação anônima.

Um fato curioso é que deduziram tudo, menos que o livro fosse um trabalho da Mary Shelley. As hipóteses focavam no seu pai e também em seu marido.

De qualquer forma, o livro foi um sucesso imediato. Apesar de um certo desprezo por parte de alguns, a obra contou com inúmeras críticas positivas, inclusive de escritores como Sir Walter Scott, autor do clássico Ivanhoe, e também do próprio Lorde Byron.

Sobre o livro

Podemos entender a estrutura do livro Frankenstein como uma história, dentro de uma história, dentro de outra história.

Tudo se inicia com a narrativa do chamado Capitão Walton, um aventureiro que deseja chegar ao polo norte com sua tripulação. Os acontecimentos são transmitidos através de cartas que este envia para sua irmã.

Em certo momento o capitão observa, no gelo e no meio do nada, uma criatura estranha sendo levada num trenó por alguns cachorros.

Pouco depois, ele salva um homem que estava preso numa placa de gelo, praticamente esperando pela morte. Esse homem era o Victor Frankenstein (ou, o Dr. Frankenstein).

Walton e Victor se tornam amigos, ao ponto do cientista contar toda sua história para o capitão.

Nesse instante da narrativa, entramos na história dentro da história, tendo em vista que Walton conta para sua irmã, através das cartas, o que ocorreu com seu novo amigo.


Victor nasceu numa família rica, em Genebra, na Suíça. Ele, desde a infância, criou profundo interesse por alquimia, lendo constantemente sobre o assunto.

Após a morte de sua mãe, Frankenstein se muda para a Alemanha com o objetivo de estudar ciências naturais na universidade.

Fixado com a ideia descobrir a origem da vida, ele tenta criar um ser humano por conta própria, utilizando-se de partes do corpo recolhidas num cemitério.

Depois de anos, ele consegue dar vida ao que, na obra, é chamado de “criação” ou de “criatura”.

Contudo, o aspecto desta criatura lhe provoca nojo e desprezo. O cientista, por fim, foge e abandona a criação à própria sorte.

Num determinado momento, muito tempo após o abandono, criador e criatura se reencontram.

Após grande insistência, a criatura consegue a atenção de Victor e conta sua história.

Entramos, nesse momento, na “terceira” história da obra, tendo em vista que a criatura narra toda sua triste experiência num mundo comandado pelos humanos.

Algumas observações

Frankenstein é uma obra que possui diversas implicações religiosas. Um aspecto que destaco é aquele que envolve o homem brincando de Deus ao fabricar seu próprio Adão.

O livro também trabalha a questão do preconceito e da dificuldade de aceitação do outro. De certo modo, Mary mostra como a aparência, muitas vezes, está acima de emoções e sentimentos.

Já a biografia de Mary Shelley reflete bastante na história do livro Frankenstein. O protagonista, Victor Frankenstein, é claramente inspirado no marido de Mary Shelley.

Ele (Percy Shelley) era fascinado pela ciência e, na juventude, preparou um laboratório para fazer experiências, além de ler sobre magia, bruxaria e eletricidade.

Por fim

A Inglaterra dos séculos XVIII e XIX era estruturada com base na aparência. O homem da alta sociedade deveria transmitir a imagem de culto, enquanto a mulher deveria se autopromover como símbolo de pureza.

No entanto, nesse mesmo recorte temporal, uma jovem de 19 anos escreveu um ousado romance gótico, cuja temática central é a relação entre a vida e a morte.

Além disso, este mesmo trabalho se tornou um dos livros mais conhecidos já escritos.

Sem dúvida alguma que Mary Shelley é uma autora que merece um pouco mais da nossa atenção.


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