Resenha de Vidas Secas, de Graciliano Ramos

No artigo de hoje teremos uma resenha de Vidas Secas, de Graciliano Ramos, um dos maiores clássicos da literatura brasileira.

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Resenha de Vidas Secas, de Graciliano Ramos

Um pouco sobre o Velho Graça

O dia 27 de outubro de 1892 foi bastante especial para um pequeno município do estado de Alagoas conhecido como Quebrangulo. Naquela data nasceu aquele que seria consagrado como um dos principais nomes da literatura nacional: Graciliano Ramos.

Desde muito jovem, Graciliano já gostava de escrever, o que incentivou sua principal atividade no futuro. Nesse sentido, a década de 1930 foi fundamental para estabelecer as bases da sua carreira.

Seu primeiro romance foi Caetés, publicado em 1933 e ambientado na cidade de Palmeira dos Índios, local esse que o Velho Graça atuou como prefeito por dois anos.

O restante da década foi marcado por publicações fundamentais na obra do escritor: São Bernardo (1934), Angústia (1936) e, principalmente, Vidas Secas (1938).

Lançado pela editora José Olympio logo após Graciliano ser libertado da prisão durante a chamada Era Vargas, Vidas Secas se consagrou, ao longo dos anos, como uma verdadeira obra-prima da nossa literatura.

Vidas Secas, de Graciliano Ramos

Vidas Secas, de Graciliano Ramos, é um romance tão importante que, mesmo sem ler, qualquer brasileiro já ouviu falar. Com menos de 100 páginas e narrado em 3ª pessoa, tornou-se um dos principais títulos regionalistas ao abordar as mazelas do sertão nordestino.

Escrito nos anos de 1930, a obra é parte da 2ª geração modernista (1930-1945), ao lado de outros trabalhos como:

Menino de Engenho (José Lins do Rego)
O Quinze (Rachel de Queiroz)
Capitães de Areia (Jorge Amado)

No primeiro capítulo, nos acompanhamos o sofrimento de um pequeno grupo de retirantes durante a seca do sertão. No caso, era uma família composta por Fabiano, Sinhá Vitória, dois filhos e a cachorra Baleia. Todos caminham sem rumo e no calor extremo.

A comida acabou, não havia água em lugar algum, as casas e fazendas estavam abandonadas, sem gado e com todas as plantas mortas. Num determinado momento, quando a família resolve parar um pouco para descansar, Baleia sai correndo rumo ao morro.

A cadelinha retorna, pouco tempo depois, com um preá na boca. Esse gesto foi fundamental para tirar aquelas pessoas da fome, além de dar esperanças e forças para suportar uma situação tão extrema.

Já nas páginas seguintes, que ocorrem após o fim da seca, temos Fabiano trabalhando numa fazenda bem próxima daquele mesmo local onde Baleia caçou e salvou a vida de todos. Ele e sua família vivem numa casa bem simples e relativamente próxima de um pequeno povoado.

A partir daqui somos apresentados a cada um dos personagens, acompanhando situações aleatórias que estes vivenciam. Por exemplo: vemos as injustiças que Fabiano sofre por ter dificuldade em se comunicar; os sonhos de Sinhá Vitória em ter uma vida mais confortável; a relação dos filhos com seus pais; a forma como Baleia enxerga o mundo e seus donos.

Sobre o livro

Vidas Secas, de Graciliano Ramos, é um livro marcante em vários sentidos. Um primeiro ponto que quero destacar envolve a complexidade dos personagens.

Através de Fabiano e sua família, vemos as dificuldades das pessoas do campo no sertão nordestino. Nesse aspecto, a obra cumpre o papel de expor ao leitor as diversas injustiças e adversidades que estas podem sofrer.

A pobreza, o clima brutal e extremo, os abusos das autoridades e a exploração promovida pelos mais ricos são apenas alguns dos problemas vivenciados pelos personagens de Vidas Secas.

Um outro elemento que também se destaca nessa obra de Graciliano Ramos diz respeito a questão da linguagem, mais especificamente sobre como as dificuldades em se comunicar geram desigualdade.

Fabiano é o exemplo perfeito disso. Ele é um homem bruto que, inclusive, se considera quase como um “bicho”. No capítulo intitulado “Cadeia”, Fabiano acaba preso e não consegue expressar toda a sua indignação com a injustiça.

“Havia muitas coisas. Ele não podia explicá-las, mas havia. Fossem perguntar a seu Tomás da bolandeira, que lia livros e sabia onde tinha as ventas. Seu Tomás da bolandeira contaria aquela história. Ele, Fabiano, um bruto, não contava nada. Só queria voltar para junto de sinhá Vitória, deitar-se na cama de varas. Porque vinham bulir com um homem que só queria descansar?” (Pág. 31)

Em linhas gerais, o que Graciliano Ramos tenta nos mostrar é como a pobreza extrema impede o homem de se educar, fazendo com que o mesmo sempre fique sujeito a sofrer com a exploração dos demais.

Conclusão

Com personagens marcantes, sendo Baleia a mais lembrada, temos em Vidas Secas um trabalho magnifico e emocionante que traça um retrato dos problemas sociais do sertão nordestino.

Considerado como um dos livros indispensáveis da nossa tão rica literatura, deixo aqui para vocês a recomendação dessa obra incrível do grande escritor alagoano Graciliano Ramos.


Aproveite para assistir o vídeo que publiquei sobre esse mesmo livro lá no canal do YouTube.

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