Resenha de Maus, de Art Spiegelman

Confira a resenha de Maus, premiada graphic novel de Art Spiegelman e um dos quadrinhos mais marcantes sobre o holocausto.


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Resenha de Maus, de Art Spiegelman

Durante a Alemanha Nazista (1933-1945), a propaganda política era uma das principais maneiras de se promover o antissemitismo.

Entre inúmeros exemplos, temos um caso que vale destacar: em 1940, surge um filme conhecido como Der Ewige Jude (The Eternal Jew).

O longa foi dirigido por Fritz Hippler (1909-2002) após indicação do famoso ministro da propaganda Joseph Goebbels (1897-1945).

Em linhas gerais, a proposta envolvia uma manipulação da opinião pública ao apresentar imagens que mostrassem os judeus como parasitas e como causadores de problemas.

Der Ewige Jude (The Eternal Jew)
Der Ewige Jude (The Eternal Jew)

No início do filme, por exemplo, temos um pequeno histórico que apresenta a forma como os judeus se propagaram pelo mundo, marcando sua presença em vários locais diferentes.

No entanto, após esta cena e como uma espécie de analogia macabra, vemos como os ratos se propagaram pelo mundo, além de como transmitem doenças.

A propaganda nazista foi, muito provavelmente, a fonte de inspiração para compor um dos elementos mais característicos da graphic novel Maus, de Art Spiegelman.

Para quem não sabe, o termo “Maus“, em alemão, significa “Rato”. No livro, os judeus são representados, justamente, por ratos, enquanto as demais pessoas são representadas por outros animais.

Art Spigelman utiliza o chamado antropomorfismo (misturar características humanas com animais) tanto como crítica, quanto como uma forma de expressar, em imagens e de uma maneira simbólica, todo aquele cenário onde o preconceito era regra.

Resenha de Maus

Algumas observações sobre Maus

No quadrinho, os judeus, são ratos; os alemães, são gatos; os franceses são sapos; os americanos são cachorros; os suecos são renas; os poloneses são porcos etc.

No meio de tanto material de qualidade sobre o Holocausto, nós temos essa excelente graphic novel que foi, inclusive, a 1ª obra de quadrinhos a receber o renomado prêmio Pulitzer.

Ao que parece, tem escolas na Alemanha que utilizam esse livro como material didático.

Atualmente, no Brasil, Maus é vendido na versão integral. Originalmente, este quadrinho foi lançado em duas partes, uma em 1986 e outra em 1991.

Na obra temos a história do Vladek Spiegelman, pai do autor. Vladek foi um sobrevivente do famoso de campo de Auschwitz e emigrou para os Estados Unidos junto de sua mulher, Anja.

A relação entre ele e seu filho não era muito boa: o Art Spiegelman não tinha, por exemplo, a menor paciência para os hábitos metódicos e para a mesquinharia de seu pai

No entanto, numa espécie de reaproximação, o autor visita Vladek e pede que ele conte sobre sua vida, principalmente sobre o período de perseguição aos judeus.

Vladek e Art Spiegelman
Vladek e Art Spiegelman

Em suma, a ideia era fazer uma biografia em quadrinhos do próprio Vladek. O pai, então, conta sobre sua juventude na Polônia, quando conheceu sua esposa Anja.

Ela era uma garota de família rica, o que foi uma grande vantagem já que, com auxílio do sogro, Vladek obteve uma vida bastante confortável.

Só que as coisas foram piorando quando os alemães chegaram na Polônia.

Tudo o que foi construído, com anos de trabalho, desmoronou. Seus familiares e amigos desapareceram ou morreram. Seu casamento e trabalho foram, bruscamente, prejudicados.

Vladek e sua esposa são, então, capturados e levados para Auschwitz.

Auschwitz
Auschwitz

Auschwitz, um dos símbolos máximos do holocausto, foi um local composto por uma rede de campos. Fundamentalmente, era um espaço preparado para extermínio de pessoas.

Esse período no campo é uma das partes mais marcantes do livro. O quadrinho mostra, de forma detalhada, como era o terrível cotidiano dos presos.

Os mais fracos, rapidamente descartados, iam para as câmaras de gás, enquanto alguns dos mais fortes eram obrigados a trabalhar.

Vladek era bastante forte e, ainda por cima, muito inteligente. Estas duas características foram importantíssimas para que o pai de Art Spiegelman conseguisse sobreviver.

Auschwitz Maus
Auschwitz (Maus, de Art Spiegelman)

Conclusão

Ao realizar a resenha de Maus, um aspecto interessante que percebi envolve a narrativa e estrutura da obra.

A graphic novel mistura tanto os encontros de Art com seu pai, quanto flashbacks para contar a história do Vladek durante o holocausto.

Existe uma grande sinceridade do autor ao retratar seu pai, apresentando-o sem nenhuma idealização e de forma bem sincera, mostrando seu lado positivo e seu lado negativo.

Se você é daqueles que não tem hábito de ler quadrinhos, Maus é um excelente ponto de partida para mudar o seu conceito.


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