Sobre “O Médico e o Monstro”, de Robert Louis Stevenson

O médico e o monstro (Strange Case of Dr Jekyll and Mr Hyde) foi o 1º livro que li do escritor Robert Louis Stevenson.

Estava lá, parado na minha estante desde sei lá quando.

Resolvi dar uma chance para esta pequena obra de, aproximadamente, 100 páginas.

O médico e o monstro

Sobre o livro

Temos a história de um certo Dr. Jekyll, importante e renomado médico da sociedade londrina que, por algum motivo, começa a ter uma espécie de relação de amizade com Mr. Hyde, uma pessoa assumidamente má e cruel.

Tudo é narrado por Mr. Utterson, advogado igualmente renomado e muito amigo de Dr. Jekyll.

Este advogado, após ter conhecimento do elevado grau de crueldade presente na pessoa de Mr. Hyde, não consegue compreender como seu amigo Jekyll poderia manter qualquer vínculo com alguém assim.

A situação chegou ao cúmulo do médico estabelecer, em seu testamento, que no caso de sua morte ou desaparecimento, todas as suas posses deveriam ser entregues para “seu amigo” Mr. Hyde.

Utterson suspeita que Dr. Jekyll está, de alguma maneira, sendo chantageado.

Após a leitura do testamento, resolve iniciar uma investigação para entender o que está acontecendo.

Spoilers

Eu odeio spoilers mas é muito difícil evitar ao falar desse livro. Como a obra foi (e continua sendo) referência para uma enorme quantidade de filmes, desenhos, quadrinhos e livros, mesmo sem ter lido “O médico e o monstro”, é bastante possível que você já saiba o desenrolar da história.

Não acho que saber o desfecho deste clássico vá destruir a sua leitura mas, de qualquer maneira, já aviso: logo abaixo tem SPOILERS!!!

Pronto, avisado rs.

O mérito de Robert Louis Stevenson

Por mais que você já saiba o grande mistério desse livro (que Dr. Jekyll se transforma em Mr. Hyde após tomar uma poção) e não tenha se impressionado com o final, é importante lembrar que a história é contada sob o ponto de vista do Mr. Utterson.

Isso quer dizer que a narrativa é feita por alguém que não tem ideia do que está acontecendo com seu amigo, Dr. Jekyll.

No momento em que esse livro foi lançado (1886), o sucesso foi enorme justamente porque todos compartilhavam dessa dúvida. Manter o mistério até o fim foi um dos elementos mais importantes para, digamos assim, eternizar o livro de Robert Louis Stevenson.

Dr. Jekyll and Mr. Hyde -Poster antigo
Dr. Jekyll and Mr. Hyde – Poster antigo

Mr. Hyde

Mr. Hyde, que faz referência ao verbo to hide (“esconder”, em inglês), parece ter esse nome por dois motivos:

1 – O 1º seria pelo fato de que ele “se esconde” dentro do Dr. Jekyll, saindo em certos momentos para cometer suas maldades.

2 – O 2º motivo seria pelo fato de que o autor não descreve, em momento algum, como é o rosto deste personagem. A única explicação que temos é de que é uma pessoa muito estranha e que o simples ato de olhar pra ela já provoca bastante desconforto. É como se tivesse algo esquisito “escondido” ali, naquele indivíduo.

Bem vs Mal?

Um dos pontos mais tratados nesse clássico do terror é a questão do bem vs mal e como todos temos que conviver com essa dualidade dentro de nós.

No caso específico do Dr. Jekyll, ele tem que lidar com isso tanto internamente, quanto externamente.

No entanto, uma coisa que pouco se fala envolve o desejo de Dr. Jekyll em ser mal e praticar maldade.

Refletindo: será que Dr. Jekyll é, de fato, uma pessoa boa e maravilhosa, se esse mesmo indivíduo resolve criar uma poção que pode liberar o seu lado malvado? Não seria melhor deixar isso de lado e continuar mantendo tudo como está?

Ao meu ver, as características do Dr. Jekyll e do Mr. Hyde não correspondem com essa ideia de bondade x maldade.

Acredito que seja mais coerente pensar que Dr. Jekyll era uma pessoa com uma espécie de maldade retida, desesperado por exteriorizar isso sem afetar a sua credibilidade perante uma sociedade vitoriana e conservadora, onde as aparências eram fundamentais. Sendo assim, ele não pode ser representado como um personagem bondoso.

Separei um trecho que dá uma ideia disso, onde o próprio Dr. Jekyll fala sobre sua condição:

“… acabei por sufocar meus prazeres e, depois de anos de reflexão, ao olhar ao meu redor e avaliar meu progresso e minha posição no mundo, percebi-me já comprometido com uma profunda duplicidade de vida. Muitos homens teriam até mesmo se vangloriado das faltas pelas quais eu me sentia culpado, porém, em vista dos altos padrões que eu havia proposto para mim mesmo, eu as observava e escondia com um sentimento quase mórbido de vergonha.”

No fundo, o médico queria ser mal, gostava de praticar maldades, mas tinha vergonha disso. O seu desespero quando Mr. Hyde começa a tomar o controle não vem, portanto, do seu medo de virar uma pessoa ruim, mas sim do temor de perder tudo o que construiu e conquistou como médico.

Sendo assim, talvez Robert Louis Stevenson acredite mais no ser humano com potencialmente ruim do que como bom.

Por fim

O livro “O Médico e o Monstro” foi um dos principais livros deste escritor.

Além de ser uma enorme influência cultural, também é considerado como uma das principais obras de terror já escritas.

Além de Stevenson, outros escritores como Mary Shelley, Bram Stoker, Edgar Allan Poe e H. P. Lovecraft também escreveram romances e contos do gênero que, mais tarde, se tornaram referências.

Se você tem interesse em livros de terror, gosta de clássicos ou quer uma leitura rápida de qualidade, “O Médico e o Monstro” é uma das melhores escolhas.


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4 Comentários


  1. Eu li esse livro porque tinha assistido um episódio do desenho “As trigêmeas” em que a aventura delas se passava na história desse livro, e achei bem interessante. Dizem que é de terror, mas pra época, né? Porque eu não achei assustador de jeito nenhum, mas não sei se é porque eu já conhecia a história ou se talvez pros dias de hoje ele não assuste mais…

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  2. Olá! Gostei muito do seu blog.

    Eu li “O médico e o monstro” esse ano e tive a mesma impressão. Não se trata de Bem X Mal , pois, em momento nenhum, o médico demonstra um lado puramente bom, e mais, fica evidente que ele era em menor ou maior grau escravo de Hyde, ou escravo de sua natureza vil.

    Por isso talvez, essa ideia intrínseca, fiquei encantada pela obra.

    Abs.

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  3. Olá! Estou lendo esse livro com a minha turma, e acho a história muito boa!! Estou usando algumas informações presentes no seu blog, para ajudar os meus colegas de classe, postando em meu blog. Claro, inserindo todos os direitos autorais. O meu blog se chama Livros & Leitura: https://mergulhemnaleitura.blogspot.com.br/ Qualquer coisa, dá uma olhadinha lá!!

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