Alguns motivos para você ler os livros de Haruki Murakami

Ler os livros de Haruki Murakami é, sem dúvida, uma experiência interessante.

Dos escritores contemporâneos, este segue sendo o meu preferido. A obra deste escritor japonês tem cativado uma série de pessoas ao redor do mundo, seja por seus livros serem mais globalizados (Murakami possui forte influência da literatura e música ocidental, retratando isso nos seus textos), seja por mergulhar os leitores num universo extremamente particular, onde o real e o irreal se esbarram continuamente.

Ler os livros de Haruki Murakami

  • Público alvo

Acredito que o público alvo do Murakami seja, justamente, pessoas mais introspectivas, reflexivas e solitárias. Essas características são uma espécie de padrão nos seus protagonistas, gerando um sentimento de familiaridade muito grande por parte de quem lê.

Somado a isso, o autor também usa muito bem o poder da curiosidade humana para manter os leitores sempre “presos” no livro, na espera do que virá na próxima página.

  • Sobre o Japão

Outro aspecto interessante envolve a maneira como esse escritor trata do seu próprio país e sociedade. Murakami não segue o “esperado” de um escritor japonês. Ele não fala, exclusivamente, de samurais, gueixas, feudalismo japonês, sushi, anime, robôs gigantes,  mangás, ninjas etc. Mas calma, isso não quer dizer que ele não fale de Japão.

Murakami não se enquadra nesses estereótipos construídos pelo ocidente e não tem uma escrita regional, daquelas que os leitores locais teriam, em tese, mais facilidade de compreender.

O que parece é que esse autor visa sempre apontar o dedo, indiretamente, para as feridas da própria sociedade japonesa, voltando sua atenção para os elementos psicológicos ou o mal-estar daqueles habitantes. Esses problemas são muito característicos no Japão, basta pesquisar sobre a absurda quantidade de suicídios ou as condições de extremo isolamento, chamadas de hikikomori.

  • Livros mais “globalizados”

Um elemento muito interessante envolve o fato do próprio Haruki Murakami ser fortemente influenciado pela cultura ocidental (mais especificamente pela cultura norte-americana e parte da cultura europeia). Isso, claro, é refletido nos seus livros.

Sua paixão pela cultura norte-americana rende várias “dicas” ao longo das obras, apontando diversas bandas (The Lovin’ Spoonful, The Beach Boys…) e escritores (Raymond Chandler,  F. Scott Fitzgerald, J. D. Salinger….).

Já sua influência europeia pode ser observada no nome de seu maior best-seller: Norwegian Wood. É o mesmo nome da famosa música do The Beatles, lançada no álbum Rubber Soul (1965).

  • Sobre músicas

Uma boa dica é ler os livros de Haruki Murakami com o Youtube ou Spotify aberto, pesquisando e ouvindo as músicas citadas.

Se você leu a trilogia 1Q84, muito provavelmente procurou a Sinfonietta, de Janáček, não é? No caso de Após o anoitecer,  é possível que você tenha pesquisado (ou irá pesquisar) a música Five Spot After Dark.

É quase como se todo livro tivesse uma música central.

  • Sobre livros

 Quando o autor trata de literatura, alguns diálogos tornam-se bem interessantes. Em Norwegian Wood (talvez o melhor exemplo nesse aspecto), o protagonista Toru Watanabe conhece Nagasawa. Segue abaixo um trecho da conversa entre ambos:

“Quanto mais eu conhecia Nagasawa, mais o considerava uma pessoa estranha. […] Era um leitor ávido – eu não lhe chegava aos pés – que havia adotado para si o princípio de nunca ler obras de autores falecidos há menos de 30 anos. Dizia confiar apenas nesse tipo de livro.

– Não quero dizer com isso que veja a literatura contemporânea com desconfiança. Só não quero gastar meu precioso tempo com obras ainda não batizadas pelo tempo. A vida é curta.

– Quais são seus autores favoritos? – perguntei.

– Balzac, Dante, Joseph Conrad, Dickens – respondeu ele sem pestanejar.

– Não se pode dizer que sejam autores modernos.

– Por isso mesmo os leio. Se você só lê o mesmo que todo mundo lê, acaba pensando o mesmo que todo mundo pensa.” (pág. 43)

  • Prêmio Nobel

Nos últimos anos, o escritor japonês foi cotado entre os possíveis ganhadores do Nobel de Literatura, prêmio distribuído pela Academia Sueca. O Japão tem dois escritores premiados: Yasunari Kawabata e Kenzaburo Oe.

Já Murakami ainda não faz parte deste grupo. Claro que isso não tira o mérito ou pressupõe falta de qualidade na sua produção, já que os membros da academia foram capazes da não premiar nomes como Kafka, Tolstoi e Borges.

  • Por fim

A melhor coisa é apenas abrir o livro e deixar a história te levar. Murakami sabe conduzir isso muito bem. Suas obras são reconhecidas no mundo todo, sendo um dos poucos aprovados pela crítica e pelo público.

Óbvio que não são todos que vão gostar, mas acredito que, ao menos, a experiência de leitura vale. De certo modo, ele consegue aproximar ocidente com oriente, mostrando seus pontos em comum.

Quem sabe não é essa a fórmula para o sucesso dos seus livros?


Se desejar adquirir a “Coleção 1Q84 – Caixa”, clique abaixo e compre-a no site da Amazon (BR):

Confira os livros de Haruki Murakami disponíveis na Amazon (BR):
O Incolor Tsukuru Tazaki e Seus Anos de Peregrinação
Norwegian Wood
Caçando Carneiros
Sono
Homens sem Mulheres
Do Que Falo Quando Falo De Corrida
Kafka à beira mar
Dance Dance Dance
Minha querida sputnik
Após O Anoitecer

Obs: ao comprar através dos links acima, você está ajudando na manutenção deste blog (Leia para Viver) e respectivos canais. Receberei uma pequena comissão pela venda.

5 Comentários


  1. Achei o primeiro livro da trilogia interessante e bem instigante pelo modo da narrativa e fui com tudo para o segundo. Logo no começo desisti, quando os tais pequenos falam “hohoho”. Este tipo de ficção já é difícil mas está patacoada é impossível. Pena, já tinha comprado a trilogia completa.

    Responder



  2. A trilogia tb me.decepcionou, mas eu já estava viciadinha em Murakmi desde que li ‘Kafka a beira mar’. Normalmente leio em inglês, mas li vários em português tb. “Homens sem mulheres” é bem interessante, ‘sono’ tb. E sem falar daquele ” do q eu falo qd falo de corrida”. Meus preferidos são Kafka, Norwegian Wood e the wind up bird chronicle. Ah, o incolor tb é ótimo!

    Responder

Deixe uma resposta