Sobre a trilogia “As Crônicas de Artur”, de Bernard Cornwell

As Crônicas de Artur, do escritor britânico Bernard Cornwell (publicado pela editora Record), foi uma das melhores trilogias que já li. Um romance histórico exemplar.

Crônicas de ArturQuando me tornei livreiro, lembro que pouquíssimo tempo depois recebi várias doações de exemplares usados e seminovos para por à venda.

Alguns estavam em péssimo estado, outros maravilhosamente bem conservados. Dentre aqueles em melhores condições, estava lá o 1º volume da trilogia As Crônicas de Artur, chamado O Rei do Inverno.

A bela capa me chamou a atenção e dei uma lida na sinopse, achando bem interessante a ideia de apresentar um Rei Artur historicamente viável, sem aparente fantasia.

Poucos dias depois fui numa livraria e comprei não somente este livro, mas também os outros 2 volumes da coleção.

Por ser uma obra muito vasta (inúmeros personagens, localidades e eventos), fica um pouco complicado resumir os 3 livros sem deixar nada faltando. De qualquer maneira vou tentar sintetizar o que me parece mais importante.

Os personagens

O protagonista chama-se Derfel Cadarn, filho de saxões mas fiel defensor da Britânia. A trilogia é, por assim dizer, uma história dentro de outra história.

Derfel, já idoso, agora vive num mosteiro em Powys, onde escreve sua “autobiografia” desde a infância em Ynys Trebes, como protegido de Merlin, até suas aventuras, já adulto, como amigo e membro das tropas de Artur.

A maior parte do livro é justamente essa autobiografia.

O Artur de Bernard Cornwell é um personagem complexo, que parece amar tanto o momento da batalha quanto a paz. Possui firmes ideais de honra e anseia por uma plena integração dos reinos.

Nunca desejou ser rei (e não foi), apenas sonhava com uma vida simples no campo. Contudo, a Britânia dependia dele, principalmente por ser um exímio comandante.

Além de Artur, destaco outros personagens: Nimue é uma feiticeira e, assim como o protagonista, também protegida (além de esposa) de Merlin. Sua personalidade se modifica ao longo do livro.

Lancelot não é aquele cavaleiro corajoso que estamos acostumados, mas sim um farsante e covarde que vive de sua beleza e condição de príncipe para se sentir superior aos demais.

É um dos maiores inimigos de Derfel.

Merlin é um personagem demasiado rabugento mas, ao mesmo tempo, muito divertido e hilário com suas provocações e fanatismo pagão.

Sansum é um bispo cristão e, posteriormente, considerado Santo. Hipócrita e falso, sempre está a procura de poder e utiliza a religião para esta finalidade.

Além destes, temos Mordred, Ceinwyn, Guinevere, Morgana, Aelle, Gundleus e muitos outros.

Não se pode dizer que a trilogia tenha tantos personagens como nas obras Guerra e Paz, de Liev Tolstói, ou nos livros da As Crônicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin, mas também não deixa nada a desejar.

Breve análise

As Crônicas de Artur são, na minha visão, o tipo ideal de leitura, ou seja, daquelas que entretêm e ensinam ao mesmo tempo.

Fica claro, antes mesmo de terminar o 1º livro, que uma grande pesquisa (tanto historiográfica quando de fontes primárias) foi realizada por Bernard Cornwell para a produção do conteúdo.

cronicas de artur 2

Sendo assim, não espere um jovem Artur tirando a excalibur da rocha ou Merlin e Morgana com feitiços fantásticos e mirabolantes.

Também não crie expectativas em um Artur cristão na busca pelo Santo Graal.

O autor não se preocupa com os elementos fantasiosos ou duvidosos do mito, ficando a cargo do leitor decidir se havia ou não realmente magia.

Em certa medida, o que Cornwell propõe são personagens “possíveis”, historicamente falando.

Eles se tornam parte do passado da Britânia, sujeitos aos problemas políticos, sociais e econômicos da localidade naquele contexto histórico.

Além disso, vários temas históricos são comentados, sejam aqueles que influenciaram a região / sociedade ou aqueles fazem parte da realidade dos personagens.

Por exemplo: a saída dos romanos da Britânia; as invasões saxônicas (leste) e invasões irlandesas (oeste); a conturbada relação entre cristianismo e paganismo, entre outros.

Posso concluir que, mesmo sendo uma história sobre a mitologia arturiana,  As Crônicas de Artur também são um rico e consistente romance histórico, daqueles que servem de exemplo para a produção de outras obras.


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Waterloo
1356
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2 Comentários


  1. Amo as estórias contadas a cerca de Artur e o Rei do Inverno também me chegou por acaso nas mãos. Um amigo estava se desfazendo de alguns livros que havia ganho e não leu. O que me deixou apaixonado pelo conto é que os personagens são crus, praticamente reais e destituídos daqualas glórias de magias ou armaduras brilhantes, teem carater duvidosos e tudo colocado dentro de uma cronologia da história britânica. É o meu favorito dentre todos os que ja li.

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